Nasci na era do lobo,
e outra houve,
que dele não fosse?
a matriz de todo pensamento,
sensível as movimentações humanas
está em encontrar respostas
para a crueldade que se estampa
nas faces
do dia dia, rotineiro
em busca da sobrevivência
e também para a docilidade
que surge quando a raça é ameaçada
somos irmãos e unidos na desgraça
porque quando estamos em desgraça
ameaçados
somos iguais
mas quando nos sentimos salvos
cultuamos um isolamento
e um individualismo
que nos faz lobos
toda era
é era do lobo
se não buscarmos ser
apenas homem
domingo, 16 de novembro de 2008
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Sabedoria
Uma gargalhada
e mar adentro
fui
vestido branco
pés descalços
flor ingênua
no cabelo
pulseira de conchas
nos braços
sal na pele
tempero
regado ao luar
lembro quando
ainda criança
um homem prometeu
crescerás, mulher
e entenderás
as razões da tua vinda
a cada dia que passa
cresço e compreendo
vim ao mundo
para ser humana
e isso fui
bastante
mar que me olha
sereia me chamando
tomei o mar nos braços
sob o olhar da areia
fruto do mar
me tornei
porque faz bem pra saúde
já me dizia
aquele mesmo homem
e mar adentro
fui
vestido branco
pés descalços
flor ingênua
no cabelo
pulseira de conchas
nos braços
sal na pele
tempero
regado ao luar
lembro quando
ainda criança
um homem prometeu
crescerás, mulher
e entenderás
as razões da tua vinda
a cada dia que passa
cresço e compreendo
vim ao mundo
para ser humana
e isso fui
bastante
mar que me olha
sereia me chamando
tomei o mar nos braços
sob o olhar da areia
fruto do mar
me tornei
porque faz bem pra saúde
já me dizia
aquele mesmo homem
Jardins e Flores
Foi na tua boca
que encontrei o doce
vi-me
um pouco flor
no teu jardim
sensação que acumulo
jamais se perderá
costumo guardá-los,
sentimentos latejantes no peito
com eles,
vou me construindo
para merecer,
na próxima vida
quem sabe
te encontrar novamente
naquele mesmo jardim
que encontrei o doce
vi-me
um pouco flor
no teu jardim
sensação que acumulo
jamais se perderá
costumo guardá-los,
sentimentos latejantes no peito
com eles,
vou me construindo
para merecer,
na próxima vida
quem sabe
te encontrar novamente
naquele mesmo jardim
Divagações
Meus jardins se agigantaram
desde que aprendi a ver
o belo
e agora que sou comum dos homens
fico me perguntando,
como eles agem
como nós agimos
não tenho mais doenças
então não posso mais esconder-me
atras da velha desculpa
hoje me sei
e me projeto neste conhecimento
para saber um pouco mais do outro,
não que o outro me interesse,
pois cada ser é um
e nada eu posso dizer
para influenciá-los
acho que conhecimento vem
da gente mesmo
da própria forma de abordar
as coisas da vida
a vida é muito agradável
desagradável
e não achar as respostas certas
mas tenho para mim,
que não está no outro
a resposta
está em mim
por isso
palavras são sempre vazias
discursos são sempre contraditórios
então,
aponte a contradição
e eu vou pensar a respeito
desde que aprendi a ver
o belo
e agora que sou comum dos homens
fico me perguntando,
como eles agem
como nós agimos
não tenho mais doenças
então não posso mais esconder-me
atras da velha desculpa
hoje me sei
e me projeto neste conhecimento
para saber um pouco mais do outro,
não que o outro me interesse,
pois cada ser é um
e nada eu posso dizer
para influenciá-los
acho que conhecimento vem
da gente mesmo
da própria forma de abordar
as coisas da vida
a vida é muito agradável
desagradável
e não achar as respostas certas
mas tenho para mim,
que não está no outro
a resposta
está em mim
por isso
palavras são sempre vazias
discursos são sempre contraditórios
então,
aponte a contradição
e eu vou pensar a respeito
domingo, 26 de outubro de 2008
Fatalismo
Submeter-me a minha crença
seria fácil
homens são
normalmente,
descrentes
incluo-me
mas vamos falar
sério
não há poder manipulável
pela racionalidade humana
estamos suscetíveis
e a margem
dos desígnios universais
sinto muito
não dominamos
as leis universais
seria fácil
homens são
normalmente,
descrentes
incluo-me
mas vamos falar
sério
não há poder manipulável
pela racionalidade humana
estamos suscetíveis
e a margem
dos desígnios universais
sinto muito
não dominamos
as leis universais
Consciência
A injustiça sempre foi meu maior temor
não o ser, pois
um corpo forte suporta
uma mente lúcida se adapta
e o conjunto sobrevive
Medo de cometer injustiças
meus olhos enxergam demais
minha mente lê,
coisas que ainda não foram escritas
sinto os movimentos do universo,
influenciando
os da terra
e rasgando meu corpo
então eu me arrepio
e sinto medo,
porque nem sempre sei
exercitar a hermenêutica dos sentidos
E como interpretar sensações?
já quis ser cega
surda
muda
e néscia
mas o pedido que fiz aos deuses
foi indeferido
então eu cambaleio num saber
que me atropela
e tateando
vou vomitando decisões
no fim
a fraqueza se esvai
na verdade
que se consolida
e eu agradeço
obrigada
senhor
pela consciência
humana
não o ser, pois
um corpo forte suporta
uma mente lúcida se adapta
e o conjunto sobrevive
Medo de cometer injustiças
meus olhos enxergam demais
minha mente lê,
coisas que ainda não foram escritas
sinto os movimentos do universo,
influenciando
os da terra
e rasgando meu corpo
então eu me arrepio
e sinto medo,
porque nem sempre sei
exercitar a hermenêutica dos sentidos
E como interpretar sensações?
já quis ser cega
surda
muda
e néscia
mas o pedido que fiz aos deuses
foi indeferido
então eu cambaleio num saber
que me atropela
e tateando
vou vomitando decisões
no fim
a fraqueza se esvai
na verdade
que se consolida
e eu agradeço
obrigada
senhor
pela consciência
humana
sábado, 6 de setembro de 2008
Border
Nasci num dia de chuva
na presença de muitos trovões
e raios suicidas
pouco sabiam eles,
quem anunciavam
anunciavam não um cristo
nem tampouco um anticristo
não revelavam um sábio
mas também nenhum jumento
apenas mais uma pessoa comum,
embora há quem diga,
que pessoas comuns não existam,
os dias da minha infância
eu os passei aos tropeços
escondendo-me atrás das árvores
para que ninguém me enxergasse
e assim foi,
tornei-me adolescente
e a árvore se agigantou para
pode esconder meu corpo
reforçado
pelos hormônios
cresci medroso
fraco
assustado
correndo e torcendo para que me esquecessem,
e nunca descobri por que
acho que foi a chuva do dia do meu nascimento
mas especialmente os raios
trago no peito
aquele desejo
que senti no primeiro suspiro de vida
o de jogar-me lá do alto como o raio
e estrondar
na terra como o trovão
o trovão assusta
mas o raio chamusca
e as vezes conforme pega
ele mata
me mata
estou cansando de existir
desde que nasci
sinto-me chamuscado
na presença de muitos trovões
e raios suicidas
pouco sabiam eles,
quem anunciavam
anunciavam não um cristo
nem tampouco um anticristo
não revelavam um sábio
mas também nenhum jumento
apenas mais uma pessoa comum,
embora há quem diga,
que pessoas comuns não existam,
os dias da minha infância
eu os passei aos tropeços
escondendo-me atrás das árvores
para que ninguém me enxergasse
e assim foi,
tornei-me adolescente
e a árvore se agigantou para
pode esconder meu corpo
reforçado
pelos hormônios
cresci medroso
fraco
assustado
correndo e torcendo para que me esquecessem,
e nunca descobri por que
acho que foi a chuva do dia do meu nascimento
mas especialmente os raios
trago no peito
aquele desejo
que senti no primeiro suspiro de vida
o de jogar-me lá do alto como o raio
e estrondar
na terra como o trovão
o trovão assusta
mas o raio chamusca
e as vezes conforme pega
ele mata
me mata
estou cansando de existir
desde que nasci
sinto-me chamuscado
sábado, 23 de agosto de 2008
Extenue
Carrego no corpo,
hoje,
o peso
da rigidez cadavérica
daqueles que nunca amaram
ou nunca foram amados
eu não fui,
se fui,
tão pouco foi
que pouco ou nada senti
fiquei ali
embalando minha ausência de sentimentos
sem fúria
numa rede puída
Total inércia
de interagir
sei amar
ao menos,
pensei que sabia,
quando adotei
um animal de rua
ele
tanto quanto eu
dele
queria um tanto
de mim
diziam que preenchia os espaços
que a gente tinha vazios,
Mas ele e
eu
queríamos tanto
quanto tantos querem
sem dar
Assim como o corpo,
também o coração
Meus olhos secaram
de lágrimas
e,
desconfio que até minha alma partiu
para longe das vistas humanas
e por falar em vistas
das minhas
uma apagou
e o alcance da que restou
não vislumbra o horizonte
desaprendi
a olhar para frente
acostumei-me a olhar
para os pés
e o umbigo
Mas hoje,
olho
para cima
deitado aqui
nesta mesa
fria
do necrotério
pois deitado estou,
deitado para sempre ficarei
até que tudo apague
desapareça
consumido pelo ar e pelos vermes
e eu volte a ser o que sempre fui
matéria orgânica
e energia
aí
pode ser que eu
reascenda
volte do céu
numa grande explosão provocada
acima da cabeça dos humanos
como o faz
a chuva de fogos de artifício
e eu me caia,
leve,
sobre o corpo de cada um daqueles
que não amaram
talvez eu os cure da insensibilidade
ou ainda,
como energia renovada
eu os contamine
com um novo vírus
o vírus do amar o outro
como a si mesmo
hoje,
o peso
da rigidez cadavérica
daqueles que nunca amaram
ou nunca foram amados
eu não fui,
se fui,
tão pouco foi
que pouco ou nada senti
fiquei ali
embalando minha ausência de sentimentos
sem fúria
numa rede puída
Total inércia
de interagir
sei amar
ao menos,
pensei que sabia,
quando adotei
um animal de rua
ele
tanto quanto eu
dele
queria um tanto
de mim
diziam que preenchia os espaços
que a gente tinha vazios,
Mas ele e
eu
queríamos tanto
quanto tantos querem
sem dar
Assim como o corpo,
também o coração
Meus olhos secaram
de lágrimas
e,
desconfio que até minha alma partiu
para longe das vistas humanas
e por falar em vistas
das minhas
uma apagou
e o alcance da que restou
não vislumbra o horizonte
desaprendi
a olhar para frente
acostumei-me a olhar
para os pés
e o umbigo
Mas hoje,
olho
para cima
deitado aqui
nesta mesa
fria
do necrotério
pois deitado estou,
deitado para sempre ficarei
até que tudo apague
desapareça
consumido pelo ar e pelos vermes
e eu volte a ser o que sempre fui
matéria orgânica
e energia
aí
pode ser que eu
reascenda
volte do céu
numa grande explosão provocada
acima da cabeça dos humanos
como o faz
a chuva de fogos de artifício
e eu me caia,
leve,
sobre o corpo de cada um daqueles
que não amaram
talvez eu os cure da insensibilidade
ou ainda,
como energia renovada
eu os contamine
com um novo vírus
o vírus do amar o outro
como a si mesmo
sábado, 2 de agosto de 2008
Ceticismo
Noite difícil,
Suor na testa
Sonho febril
Sonhava que o filho
matava o pai
somente, porque ele falava
e como falava
Não matarás
Não furtarás
Não desejarás a mulher do próximo
Latejava, nas temporas do filho, ainda,
o mesmo sangue
que lhe sujava
as mãos
e o punhal
fúria
incontida
não suportou
aquela verborragia toda,
batalha entre anjos e demônios
quis ser órfão
negar crenças
guiar-se por seu próprio grito
como o morcego
vagando na escuridão
dos ensinamentos sagrados
que o pai,
chamava de trevas
não quis saber do outro
não quis dar a outra face
quis apenas ser uma criatura
a criatura
órfão
de pai e de mãe
esgueirando-se pelas ruas
que o pai,
chamava de devassidão
sem exemplos a serem seguidos
aprendendo
só
tão-somente
só,
cansado que estava,
de esperar o paraiso prometido
Eu vi,
naquele sonho,
o filho
negando
o pai,
três vezes
não quero
não quero
não quero
ser tua imagem e semelhança
e se o for,
e mato,
imito,
um ato,
que se tornou
ritual cotidiano,
nas ruas,
nas bombas de aniquilamento,
nas políticas de esquecimento,
nas pragas,
na desnutrição
e nas doenças
que passam ao largo de qualquer crença ou religião
Acaso, justifica-se o filho,
Não sou uma das faces do pai?
Pensei,
afasta de mim este cálice
preságio de anjos malignos
que se atrevem a entrar nos meus sonhos
sonho
sonho
sonho
E ouço o eco das palavras
vindas do paraíso
E Deus fez o homem,
imagem
e semelhança
Suor na testa
Sonho febril
Sonhava que o filho
matava o pai
somente, porque ele falava
e como falava
Não matarás
Não furtarás
Não desejarás a mulher do próximo
Latejava, nas temporas do filho, ainda,
o mesmo sangue
que lhe sujava
as mãos
e o punhal
fúria
incontida
não suportou
aquela verborragia toda,
batalha entre anjos e demônios
quis ser órfão
negar crenças
guiar-se por seu próprio grito
como o morcego
vagando na escuridão
dos ensinamentos sagrados
que o pai,
chamava de trevas
não quis saber do outro
não quis dar a outra face
quis apenas ser uma criatura
a criatura
órfão
de pai e de mãe
esgueirando-se pelas ruas
que o pai,
chamava de devassidão
sem exemplos a serem seguidos
aprendendo
só
tão-somente
só,
cansado que estava,
de esperar o paraiso prometido
Eu vi,
naquele sonho,
o filho
negando
o pai,
três vezes
não quero
não quero
não quero
ser tua imagem e semelhança
e se o for,
e mato,
imito,
um ato,
que se tornou
ritual cotidiano,
nas ruas,
nas bombas de aniquilamento,
nas políticas de esquecimento,
nas pragas,
na desnutrição
e nas doenças
que passam ao largo de qualquer crença ou religião
Acaso, justifica-se o filho,
Não sou uma das faces do pai?
Pensei,
afasta de mim este cálice
preságio de anjos malignos
que se atrevem a entrar nos meus sonhos
sonho
sonho
sonho
E ouço o eco das palavras
vindas do paraíso
E Deus fez o homem,
imagem
e semelhança
terça-feira, 29 de julho de 2008
Mimitismo
A noite atorou meu corpo
medo que me consome
escuridão
sou tão criança
nem sei como
só cresci no tamanho
de dia
trânsito
trabalho
responsabilidade
poder
mando
conhecimento
(tudo acumulado e reproduzido)
virei homem
(pensa meu pai)
um marido afetuoso
(pensa minha mãe)
um vencedor
(pensa a sociedade)
que ganha o bastante para sustentar duas família
(pensa minha esposa)
mas à noite viro-me do avesso
para poder me esconder facilmente,
dos temores
o silêncio me assusta
enfrento meus pensamentos
deixo de ser grande
e busco desenvolver-me
afetivamente,
lentamente
no meu tempo
tiveram pressa
em me ver homem
eu espichei
um corpo grande
com diminuta capacidade de enfrentar seus medos
resta-me
viver como os adultos
mesmo sabendo
ser ainda um menino,
camuflando-me
sempre, sempre com medo de ser descoberto
medo que me consome
escuridão
sou tão criança
nem sei como
só cresci no tamanho
de dia
trânsito
trabalho
responsabilidade
poder
mando
conhecimento
(tudo acumulado e reproduzido)
virei homem
(pensa meu pai)
um marido afetuoso
(pensa minha mãe)
um vencedor
(pensa a sociedade)
que ganha o bastante para sustentar duas família
(pensa minha esposa)
mas à noite viro-me do avesso
para poder me esconder facilmente,
dos temores
o silêncio me assusta
enfrento meus pensamentos
deixo de ser grande
e busco desenvolver-me
afetivamente,
lentamente
no meu tempo
tiveram pressa
em me ver homem
eu espichei
um corpo grande
com diminuta capacidade de enfrentar seus medos
resta-me
viver como os adultos
mesmo sabendo
ser ainda um menino,
camuflando-me
sempre, sempre com medo de ser descoberto
Redoma
A casa onde moro é minha referência
Um nicho
Habitat
Gosto das cores mornas das paredes
Dos móveis e sua disposição imóvel
Da cama onde me encaixo como a polca no parafuso
(certo)
Do sofá onde acoplo meu corpo
Gosto do abraço da toalha branca, após o banho
E muito..gosto muito dos meus lençóis transparentes
Porque não há no mundo, lugar como a minha casa
Tenho carinho
Amor
Afeto
Consolo
Compreensão
Nada há,
Além do meu eu e dos meus objetos pessoais
ocupando todo o espaço,
Reconheço-me
nos cantos
Meu
cheiro
(bolorento)
está no ar
e por isso,
não tenho medo
Talvez por isso, também, minha mente esteja tão fechada
Pensei,
talvez seja a hora
De romper este círculo
Rotineiro e viciado
Um liame de falsa segurança
De satisfação que parece plena
Pois plena não é
Verdade translúcida
Como ter plenitude sendo tão só e estático
Relógio que se movimenta
mas sempre de acordo com a
engrenagem
pré-fabricada
Converso com as paredes
(Elas me entendem)
E como não entenderiam
Se nunca contradizem
Não debatem
Não rebatem
Não argumentam
Talvez eu deva abrir as portas e as janelas
E deixar o cheiro de fora entrar
e o mofo sair
de dentro
Deixar que o imaculado seja tomado pelo impuro,
ar circulante
que a mente se infecte com o novo
Talvez este exercício faça com que eu seja menos eu
Mas por outro lado me ensine a ser um pouco nós
Um nicho
Habitat
Gosto das cores mornas das paredes
Dos móveis e sua disposição imóvel
Da cama onde me encaixo como a polca no parafuso
(certo)
Do sofá onde acoplo meu corpo
Gosto do abraço da toalha branca, após o banho
E muito..gosto muito dos meus lençóis transparentes
Porque não há no mundo, lugar como a minha casa
Tenho carinho
Amor
Afeto
Consolo
Compreensão
Nada há,
Além do meu eu e dos meus objetos pessoais
ocupando todo o espaço,
Reconheço-me
nos cantos
Meu
cheiro
(bolorento)
está no ar
e por isso,
não tenho medo
Talvez por isso, também, minha mente esteja tão fechada
Pensei,
talvez seja a hora
De romper este círculo
Rotineiro e viciado
Um liame de falsa segurança
De satisfação que parece plena
Pois plena não é
Verdade translúcida
Como ter plenitude sendo tão só e estático
Relógio que se movimenta
mas sempre de acordo com a
engrenagem
pré-fabricada
Converso com as paredes
(Elas me entendem)
E como não entenderiam
Se nunca contradizem
Não debatem
Não rebatem
Não argumentam
Talvez eu deva abrir as portas e as janelas
E deixar o cheiro de fora entrar
e o mofo sair
de dentro
Deixar que o imaculado seja tomado pelo impuro,
ar circulante
que a mente se infecte com o novo
Talvez este exercício faça com que eu seja menos eu
Mas por outro lado me ensine a ser um pouco nós
Nada Romântico
Quero pousar
no teu corpo nu
delicadamente
como a borboleta
na flor
desvendar sem fúria
os segredos dos teus caminhos
sentir-me apenas alma
abstração
ardendo
sem sol
na penumbra
perdendo-me
nas penugens finas
das tuas pernas
pétalas delicadas
buscar no aconchego do teu seio o pólem
e transfomá-lo como o faz a abelha
em mel
escorregar no suor dos teus poros
e por fim despencar no abismo
profundo dos teus túneis úmidos
flor com cheiro ácido
no teu corpo nu
delicadamente
como a borboleta
na flor
desvendar sem fúria
os segredos dos teus caminhos
sentir-me apenas alma
abstração
ardendo
sem sol
na penumbra
perdendo-me
nas penugens finas
das tuas pernas
pétalas delicadas
buscar no aconchego do teu seio o pólem
e transfomá-lo como o faz a abelha
em mel
escorregar no suor dos teus poros
e por fim despencar no abismo
profundo dos teus túneis úmidos
flor com cheiro ácido
depois ao invés de fumar um cigarro
comer um pastelterça-feira, 8 de julho de 2008
Em nome da fé
Na frente da igreja
havia uma grade
enorme
gigante
de ferro
e um grande portão
chaveado
uma mulher
quase nua
passou por ali,
à noite
pensando em se abrigar
dos perigos,
no teto sagrado
benzer-se
pedir proteção
ao menos
acalentar sua alma
alma madalena
com uma oração
chamou
José
Maria
João
Pedro
Simão
mas não a deixaram entrar
noite sem reza
noite sem pão
só ela e o pecado
seguiu a estrela
foi pra Belém
havia uma grade
enorme
gigante
de ferro
e um grande portão
chaveado
uma mulher
quase nua
passou por ali,
à noite
pensando em se abrigar
dos perigos,
no teto sagrado
benzer-se
pedir proteção
ao menos
acalentar sua alma
alma madalena
com uma oração
chamou
José
Maria
João
Pedro
Simão
mas não a deixaram entrar
noite sem reza
noite sem pão
só ela e o pecado
seguiu a estrela
foi pra Belém
STATUS QUO
Vi um homem num casulo
feito de cobertores rotos
deitado na rua
mais precisamente na calçada
a noite foi gélida
e ele se protegeu como pode
trapos fétidos
panos velhos
pulguentos
deixados ali
por alguma alma
caridosa
enfileiram-se
empilham-se
os desprovidos
tentando aquecer-se uns com os outros
no pavilhão sem teto
da noite
o vento trinca a pele
fazendo,
no corpo,
fendas sanguinolentas
a umidade resseca o grito
o frio endurece o coração,
menos para o cão,
que é tratado como gente
e as gentes
apressadas
de manhã olham para eles
resmungam,
vagabundos,
dormem
quando todos trabalham
sujam nossas ruas
urinam
evacuam
emporcalham tudo
trancam nosso caminho
e quando acordam
é só para pedir esmolas
e o homem no casulo,
dorme,
à noite foi longa
sonha
a mãe alisava o ventre
e com ele conversava docemente,
fazia promessas
enquanto ouvia os resmungos do menino
em forma de chutes
quero vida
quero liberdade
quero igualdade
quero oportunidade
quero a expectativa
a mãe dizia
aqui fora,
você vai ser um príncipe,
vai ver lindos jardins,
em lindas casas
menino
menino
vai ler sozinho as estórias que te conto
teu futuro vai ser repleto de alegrias
tudo será fartura,
encantamento
vai acordar com o canto dos pássaros
e adormecer olhando o céu estrelado
e admirá-lo
como se fosse só teu
nasceu
o menino
e descobriu...
a casa era alheia
assim como os
jardins e a fartura
os livros de estórias ficaram distantes
nunca os viu
nada teve além do canto dos pássaros
e do céu
que é só seu
as promessas,
também eram sonhos da mãe,
que foi mais uma,
na cadeia alimentar
antropofágica
o pai,
nem sabe se existiu
e assim seguiu,
querendo
a cada novo dia
a igualdade prometida
e isso acontece
à noite
quando volta para o ventre
quando se encapsula,
no seu cobertor roto
e vira o homem num casulo
então pode tudo
até mesmo ser um igual
as gentes
feito de cobertores rotos
deitado na rua
mais precisamente na calçada
a noite foi gélida
e ele se protegeu como pode
trapos fétidos
panos velhos
pulguentos
deixados ali
por alguma alma
caridosa
enfileiram-se
empilham-se
os desprovidos
tentando aquecer-se uns com os outros
no pavilhão sem teto
da noite
o vento trinca a pele
fazendo,
no corpo,
fendas sanguinolentas
a umidade resseca o grito
o frio endurece o coração,
menos para o cão,
que é tratado como gente
e as gentes
apressadas
de manhã olham para eles
resmungam,
vagabundos,
dormem
quando todos trabalham
sujam nossas ruas
urinam
evacuam
emporcalham tudo
trancam nosso caminho
e quando acordam
é só para pedir esmolas
e o homem no casulo,
dorme,
à noite foi longa
sonha
a mãe alisava o ventre
e com ele conversava docemente,
fazia promessas
enquanto ouvia os resmungos do menino
em forma de chutes
quero vida
quero liberdade
quero igualdade
quero oportunidade
quero a expectativa
a mãe dizia
aqui fora,
você vai ser um príncipe,
vai ver lindos jardins,
em lindas casas
menino
menino
vai ler sozinho as estórias que te conto
teu futuro vai ser repleto de alegrias
tudo será fartura,
encantamento
vai acordar com o canto dos pássaros
e adormecer olhando o céu estrelado
e admirá-lo
como se fosse só teu
nasceu
o menino
e descobriu...
a casa era alheia
assim como os
jardins e a fartura
os livros de estórias ficaram distantes
nunca os viu
nada teve além do canto dos pássaros
e do céu
que é só seu
as promessas,
também eram sonhos da mãe,
que foi mais uma,
na cadeia alimentar
antropofágica
o pai,
nem sabe se existiu
e assim seguiu,
querendo
a cada novo dia
a igualdade prometida
e isso acontece
à noite
quando volta para o ventre
quando se encapsula,
no seu cobertor roto
e vira o homem num casulo
então pode tudo
até mesmo ser um igual
as gentes
quinta-feira, 26 de junho de 2008
Antropofagia
As mãos grandes
grudaram na vitrina
unhas fungentas
depósito de imundices
dedos finos
sujos
olho vidrado
barba empapada
cabelo comprido
rosto envelhecido
o homem
olha para aqueles olhos
do outro lado do vidro
e não os reconhece
perdeu-se no tempo
que se esvaiu
sem que ele soubesse
ou percebesse
parece que foi ontem,
saiu de casa menino
menos de doze anos
muitos irmãos
mãe prostituída
pai marginal
e assim tornou-se
também marginal
poucas e boas passou nas ruas
gritavam
menino
menino de rua
ele dormia com um olho apenas
cansou de apanhar
ser abusado
ser desprezado
ignorado
esqueceu-se que existia
ou nunca existiu
a fome fê-lo esquecer do tempo
e o tempo tornou-se sobreviver ao outro dia
sol e lua
noite e dia
passa
passa tempo passante
pro menino
que nunca se tornou homem
ao menos não percebeu
de menino
a mendigo
percebe agora
na sua face
refletida na vitrine
face que não reconhece
face de um velho
e acaso..
pensou
menino de rua envelhece?
sorriu
pela ironia de sua desgraça
era ele mesmo
e ele mesmo não se reconheceu
grudaram na vitrina
unhas fungentas
depósito de imundices
dedos finos
sujos
olho vidrado
barba empapada
cabelo comprido
rosto envelhecido
o homem
olha para aqueles olhos
do outro lado do vidro
e não os reconhece
perdeu-se no tempo
que se esvaiu
sem que ele soubesse
ou percebesse
parece que foi ontem,
saiu de casa menino
menos de doze anos
muitos irmãos
mãe prostituída
pai marginal
e assim tornou-se
também marginal
poucas e boas passou nas ruas
gritavam
menino
menino de rua
ele dormia com um olho apenas
cansou de apanhar
ser abusado
ser desprezado
ignorado
esqueceu-se que existia
ou nunca existiu
a fome fê-lo esquecer do tempo
e o tempo tornou-se sobreviver ao outro dia
sol e lua
noite e dia
passa
passa tempo passante
pro menino
que nunca se tornou homem
ao menos não percebeu
de menino
a mendigo
percebe agora
na sua face
refletida na vitrine
face que não reconhece
face de um velho
e acaso..
pensou
menino de rua envelhece?
sorriu
pela ironia de sua desgraça
era ele mesmo
e ele mesmo não se reconheceu
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Amor
cai a noite
eu me seguro
na ponta da estrela
balanço
a lua ri
da brincadeira
no embalo
adormeço
sonho
com o calor
de um raio de sol
tua presença
me aquece
quando abro os olhos
ao amanhecer
eu me seguro
na ponta da estrela
balanço
a lua ri
da brincadeira
no embalo
adormeço
sonho
com o calor
de um raio de sol
tua presença
me aquece
quando abro os olhos
ao amanhecer
Respostas
estou como sempre fui
mas evolui
embora ainda vague
por aqui
buscando a salvação
nasci homem
cresci mulher
perdi-me em desencontros
segui caminhos que não conhecia
ouvia
as palavras
sons
zunidos
acreditava que vinham de mim
mas eram ecos
vindos de um não sei aonde
sempre a procura
de algo que eu não definia
do alheio
definia-me pelo olhar do outro
e eu,
sei lá aonde
perdi-me
se é que um dia encontrei-me
sem derotas
embora com muitas dores
desabo na terra
tombo
beijo a lona
e que alegria
grama
umidade
orvalho
perfume
contato
estranho
sinto-me
nasci
mas evolui
embora ainda vague
por aqui
buscando a salvação
nasci homem
cresci mulher
perdi-me em desencontros
segui caminhos que não conhecia
ouvia
as palavras
sons
zunidos
acreditava que vinham de mim
mas eram ecos
vindos de um não sei aonde
sempre a procura
de algo que eu não definia
do alheio
definia-me pelo olhar do outro
e eu,
sei lá aonde
perdi-me
se é que um dia encontrei-me
sem derotas
embora com muitas dores
desabo na terra
tombo
beijo a lona
e que alegria
grama
umidade
orvalho
perfume
contato
estranho
sinto-me
nasci
quarta-feira, 4 de junho de 2008
A outra
E tanto gosto do feminino
que todo meu corpo reage
e até minha roupa interage
com este encantamento
Em dias de muito frio
a timidez sai do armário
as luvas tocam as mãos
a touca segreda na orelha
a manta arrepia a espinha
a blusa agarra a pele ...dos seios
a calça gruda na cocha
e a bota come a meia
a língua bate nos dentes e a boca fica gemendo...
vício da dona
vício da dona
que todo meu corpo reage
e até minha roupa interage
com este encantamento
Em dias de muito frio
a timidez sai do armário
as luvas tocam as mãos
a touca segreda na orelha
a manta arrepia a espinha
a blusa agarra a pele ...dos seios
a calça gruda na cocha
e a bota come a meia
a língua bate nos dentes e a boca fica gemendo...
vício da dona
vício da dona
Metamorfose
a virgem se contorce
pecado
espera a morte
gozo que chega
o branco dos seus olhos funde-se com o preto
tintura sem cor
azul no céu
luz no coração
vermelho nos lençóis
menina que vai
mulher que chega
pecado
espera a morte
gozo que chega
o branco dos seus olhos funde-se com o preto
tintura sem cor
azul no céu
luz no coração
vermelho nos lençóis
menina que vai
mulher que chega
FOME
O lobo espera
a presa
chega o frio
a noite cai
ele adormece,
enquando o cordeiro não vem,
atrás de sua pupila passa a imagem
sonho que se apropria de sua vontade
faminta
uma mesa farta,
família reunida
crianças gargalham estridentemente
a casa está quentinha
as panelas fumegando
pai conversa com a mãe
crianças interrompem
pulam dando pequenos gritinhos
tudo é festa
tudo é saciedade
dorme o lobo, saliva e pensa..
na próxima vida
quero ser homem
Mas ele não vê
a cena continua sem
sua presença intrusa
no lado externo da casa
pequenas mãozinhas sujas encostam na vidraça
olhos miúdos
espiam
arregalados
miram a mesa farta
o lobo acorda com um ronco
o ronco da barriga do menino
fome
fome
fome que mata
saliva
na próxima vida,
sonha o menino,
quero ser lobo
a presa
chega o frio
a noite cai
ele adormece,
enquando o cordeiro não vem,
atrás de sua pupila passa a imagem
sonho que se apropria de sua vontade
faminta
uma mesa farta,
família reunida
crianças gargalham estridentemente
a casa está quentinha
as panelas fumegando
pai conversa com a mãe
crianças interrompem
pulam dando pequenos gritinhos
tudo é festa
tudo é saciedade
dorme o lobo, saliva e pensa..
na próxima vida
quero ser homem
Mas ele não vê
a cena continua sem
sua presença intrusa
no lado externo da casa
pequenas mãozinhas sujas encostam na vidraça
olhos miúdos
espiam
arregalados
miram a mesa farta
o lobo acorda com um ronco
o ronco da barriga do menino
fome
fome
fome que mata
saliva
na próxima vida,
sonha o menino,
quero ser lobo
segunda-feira, 19 de maio de 2008
Fração de poder
Deus disse
este filho é meu
(homem)
e o feto disse
este útero é meu
o bebê disse
este berço é meu
meu pai
minha mãe
meu bico
meu brinquedo
meu caderno
meu..
meu..
umbigo
e eu
não sou nada,
só ateu
este filho é meu
(homem)
e o feto disse
este útero é meu
o bebê disse
este berço é meu
meu pai
minha mãe
meu bico
meu brinquedo
meu caderno
meu..
meu..
umbigo
e eu
não sou nada,
só ateu
quarta-feira, 23 de abril de 2008
domingo, 30 de março de 2008
Menino de Rua
Tinha 12 anos. Não sabia como nem quando acabou nas ruas.
Vivia nas calçadas. Ele e seu cão.
Recordava-se apenas de uma família numerosa. Muitas crianças, pai alcoolizado, mãe com feridas sangrentas nas faces. Nada mais.
Tentava ser simpático com as pessoas da rua. Já conhecia todos os que circulavam por ali, diariamente. Na sua rua.
Para ele, o mundo era gigantesco. Sua casa era valiosa, seu teto era o mais lindo, luminoso e estrelado.
Sofria apenas no frio, e quanto frio.
E à noite, porque era criança, justificava-se, ainda sentia medo.
Sujos eram seus cabelos, roupas, dentes. Magro, feridento, viciado, já nessa idade.
Com as moedas que ganhava, comprava a cola e não o coco colo.
Vivia nas calçadas. Ele e seu cão.
Recordava-se apenas de uma família numerosa. Muitas crianças, pai alcoolizado, mãe com feridas sangrentas nas faces. Nada mais.
Tentava ser simpático com as pessoas da rua. Já conhecia todos os que circulavam por ali, diariamente. Na sua rua.
Para ele, o mundo era gigantesco. Sua casa era valiosa, seu teto era o mais lindo, luminoso e estrelado.
Sofria apenas no frio, e quanto frio.
E à noite, porque era criança, justificava-se, ainda sentia medo.
Sujos eram seus cabelos, roupas, dentes. Magro, feridento, viciado, já nessa idade.
Com as moedas que ganhava, comprava a cola e não o coco colo.
Juntava tocos de cigarros e fumava, sem tragar, aprendera com o pai e de olhar nas ruas os adultos fazendo.
E aí garoto. Tudo bem? Perguntou-lhe um homem daqueles que via diariamente (nomes não sabia e pra que teria interesse em sabê-los?).
Sai uma moeda hoje moço?
Não hoje não, respondeu-lhe o homem.
Então um cigarro?
Cigarro garoto? Fumo mata você não sabia?
Mata moço?
Ficou em silêncio. Não sabia muito da vida ainda, era tão jovem. Mirou aquele homem de cima abaixo, roupa limpa, o perfume podia sentir da altura que estava, cabelo bem penteado, presença física saudável. O menino coçou a cabeça, olhou embaixo das unhas sujas, levou a boca algo que encontrou sob elas, olhou para os olhos verdes e límpidos do homem e perguntou-lhe com ar de dúvida:
E fome mata moço?
E aí garoto. Tudo bem? Perguntou-lhe um homem daqueles que via diariamente (nomes não sabia e pra que teria interesse em sabê-los?).
Sai uma moeda hoje moço?
Não hoje não, respondeu-lhe o homem.
Então um cigarro?
Cigarro garoto? Fumo mata você não sabia?
Mata moço?
Ficou em silêncio. Não sabia muito da vida ainda, era tão jovem. Mirou aquele homem de cima abaixo, roupa limpa, o perfume podia sentir da altura que estava, cabelo bem penteado, presença física saudável. O menino coçou a cabeça, olhou embaixo das unhas sujas, levou a boca algo que encontrou sob elas, olhou para os olhos verdes e límpidos do homem e perguntou-lhe com ar de dúvida:
E fome mata moço?
sexta-feira, 28 de março de 2008
Amantes
Quando o sol discute com a nuvem
o dia amanhece chorando
nos cantos do tempo
ouve-se o sol
bradando em trovões luminosos
mulheres
mulheres
mulheres
o dia amanhece chorando
nos cantos do tempo
ouve-se o sol
bradando em trovões luminosos
mulheres
mulheres
mulheres
quinta-feira, 27 de março de 2008
Ponto Final
Somos todos
vagantes
Há vagas
diz a placa
para ocupar o lugar dos que foram
Tanto faz morrer ou viver
tudo é retornável
tudo é reciclável
tudo é substituível
assim são os valores...dos homens
Morte é esquecimento
Vida é sensação boa... que passará
Prazeres que se esvaem como fumaça
como o sabor doce de um sorvete
é momentâneo
falsa ilusão de alegria
quando chega já se vai
e o depois..é quase nada, perdido em um canto qualquer da boca
como as palavras
que as bocas disseram
e os ouvidos ouviram
e a mente esqueceu
Talvez nem sequer lembranças nos restem
Acordar sem memória
Morrer sem ao menos ter nascido
Viver sem se saber
E quem somos nós ?
Passos sobre passos que já passaram
Nada é novo
Tudo é rastro
Sombra
Escuridão
vagantes
Há vagas
diz a placa
para ocupar o lugar dos que foram
Tanto faz morrer ou viver
tudo é retornável
tudo é reciclável
tudo é substituível
assim são os valores...dos homens
Morte é esquecimento
Vida é sensação boa... que passará
Prazeres que se esvaem como fumaça
como o sabor doce de um sorvete
é momentâneo
falsa ilusão de alegria
quando chega já se vai
e o depois..é quase nada, perdido em um canto qualquer da boca
como as palavras
que as bocas disseram
e os ouvidos ouviram
e a mente esqueceu
Talvez nem sequer lembranças nos restem
Acordar sem memória
Morrer sem ao menos ter nascido
Viver sem se saber
E quem somos nós ?
Passos sobre passos que já passaram
Nada é novo
Tudo é rastro
Sombra
Escuridão
Ausência
O amor foi minha maior miséria
sinto faltar o sangue
o ar
a vontade de viver
dor da mentira
ausência de quem nunca esteve
saudades
de quem jamais foi presente
e agora
o amor devora
meu corpo
minha alma
e ela..debate-se querendo
desencarnar
o corpo
prende
um suspiro
sem morte
Deus me mantém vivo
Viva...
não por ti
mas por alguém...
e eu sei quem?
sinto faltar o sangue
o ar
a vontade de viver
dor da mentira
ausência de quem nunca esteve
saudades
de quem jamais foi presente
e agora
o amor devora
meu corpo
minha alma
e ela..debate-se querendo
desencarnar
o corpo
prende
um suspiro
sem morte
Deus me mantém vivo
Viva...
não por ti
mas por alguém...
e eu sei quem?
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Implosão
Enquanto o chão
come a parede
A mulher goza,
nos lençóis brancos.
Sob o olhar do vizinho
Tudo é dinamite...
come a parede
A mulher goza,
nos lençóis brancos.
Sob o olhar do vizinho
Tudo é dinamite...
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
Menino de Rua
Uma dona que passa sempre na minha rua perguntou-me um dia desses.
- De que você tem medo menino?
- Eu tenho medo do escuro e do relento
- Medo de pegar "peneumonia"
Quando a noite é fria
fico enrolado na calçada...
e no meu cão
Espero que ele, ao menos, não me deixe só
Quando clareia o dia
sonho não acordar
com um pontapé
Sonhava uma noite dessas
que minha mãe me chamava
acorda...tomar ...tomar café menino
Um dia já tive mãe,
eu acho,
nem sei
se nasci
pergunto-me como comecei a existir
se é que existo...
até fico surpreso,
se vejo...pois ninguém mais vê
- Menino, você sabia que é um anjo? Disse-me a dona.
Ela me disse que os anjos estão por aí
nas esquinas
das ruas
Atento a explicação, nos meus 12 anos, eu quis não ser anjo,
pra não sentir o duro da calçada
e quis ser tão humano
a ponto de ter
que dormir em lençóis limpos
e ter que comer comida quente
mas, segundo aquela dona eu sou apenas um anjo
em fase de transição...
transição dos outros
que devem aprender comigo
comigo ...e com o meu cão
pobre dona
Eu lhe disse
- Quer trocar dona?
- De que você tem medo menino?
- Eu tenho medo do escuro e do relento
- Medo de pegar "peneumonia"
Quando a noite é fria
fico enrolado na calçada...
e no meu cão
Espero que ele, ao menos, não me deixe só
Quando clareia o dia
sonho não acordar
com um pontapé
Sonhava uma noite dessas
que minha mãe me chamava
acorda...tomar ...tomar café menino
Um dia já tive mãe,
eu acho,
nem sei
se nasci
pergunto-me como comecei a existir
se é que existo...
até fico surpreso,
se vejo...pois ninguém mais vê
- Menino, você sabia que é um anjo? Disse-me a dona.
Ela me disse que os anjos estão por aí
nas esquinas
das ruas
Atento a explicação, nos meus 12 anos, eu quis não ser anjo,
pra não sentir o duro da calçada
e quis ser tão humano
a ponto de ter
que dormir em lençóis limpos
e ter que comer comida quente
mas, segundo aquela dona eu sou apenas um anjo
em fase de transição...
transição dos outros
que devem aprender comigo
comigo ...e com o meu cão
pobre dona
Eu lhe disse
- Quer trocar dona?
sábado, 16 de fevereiro de 2008
Nossa Dores
Às vezes minha dor é tanta
que eu deixo de ser humano e me torno coisa
coisa com dor...
dor latejante...
dor nas paredes solitárias do meu quarto...
e o branco (dos) se adentra no preto dos meus olhos...
e o sangue brota em forma de lágrima no meu rosto...
lágrima ácida...e eu fico corroído por mais uma ruga...
que marca...erosiva o tempo de vida que me resta...
que tempo...
interminável e longo tempo
que eu deixo de ser humano e me torno coisa
coisa com dor...
dor latejante...
dor nas paredes solitárias do meu quarto...
e o branco (dos) se adentra no preto dos meus olhos...
e o sangue brota em forma de lágrima no meu rosto...
lágrima ácida...e eu fico corroído por mais uma ruga...
que marca...erosiva o tempo de vida que me resta...
que tempo...
interminável e longo tempo
Ponto Hoje
Gosto de movimentar algumas coisas, materialmente,
quando há modificações na área sentimental da minha vida.
Quando um amor vai embora.
Mudar a cama de lugar, os lençóis que a cobriam, a colcha
Mudo as cadeiras
o sofá
a posição da televisão
Tudo fica desorganizado...
Aos poucos, eu também me mudo
Fecho a porta (e o meu coração)
Aí posso não ter pressa
Quando a casa estiver novamente organizada...quando a casa estiver
eu de novo..eu achado
abro novamente a porta
e deixo o novo amor entrar
encontrando tudo novo
Tudo pronto para recomeçar
quando há modificações na área sentimental da minha vida.
Quando um amor vai embora.
Mudar a cama de lugar, os lençóis que a cobriam, a colcha
Mudo as cadeiras
o sofá
a posição da televisão
Tudo fica desorganizado...
Aos poucos, eu também me mudo
Fecho a porta (e o meu coração)
Aí posso não ter pressa
Quando a casa estiver novamente organizada...quando a casa estiver
eu de novo..eu achado
abro novamente a porta
e deixo o novo amor entrar
encontrando tudo novo
Tudo pronto para recomeçar
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
sábado, 9 de fevereiro de 2008
Médico/operador/que direito?
nasci para a paz
mas estou com uma espada na mão
imposição
leis
nem sempre estão corretas
guilhotina (legal)
homens com medo
mulheres desesperadas
e a emoção
que leva a ação
homens imprevisíveis
mulheres desnorteada
utilize a espada, gritam eles..
os delatores
como a guilhotina (legal)
para cortar cabeças
nasci para a paz
mas escolhi a profissão de carrasco
mas estou com uma espada na mão
imposição
leis
nem sempre estão corretas
guilhotina (legal)
homens com medo
mulheres desesperadas
e a emoção
que leva a ação
homens imprevisíveis
mulheres desnorteada
utilize a espada, gritam eles..
os delatores
como a guilhotina (legal)
para cortar cabeças
nasci para a paz
mas escolhi a profissão de carrasco
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
Transcender
Acredito sim...
mas morro de medo
de nada adianta pensar, a roda viva será apenas e repetidamente a mesma, enquanto um de nós não aprender a transcender, verdadeiramente. Que não surja, outro, pregador de peças, como muitos que estão por aí, cristos modernos, milagreiros sem imaginação, pastores de ovelhas sem alma livre, mas alguém que consiga realmente, sair do corpo, sem ter morrido.
mas morro de medo
de nada adianta pensar, a roda viva será apenas e repetidamente a mesma, enquanto um de nós não aprender a transcender, verdadeiramente. Que não surja, outro, pregador de peças, como muitos que estão por aí, cristos modernos, milagreiros sem imaginação, pastores de ovelhas sem alma livre, mas alguém que consiga realmente, sair do corpo, sem ter morrido.
Volta ao ovo
Sou livre
pra quê?
tantos gênios em tantas épocas diferentes
que i(novaram) dando ar de novo ao velho
e o que se vê a cada nova geração
é que a raça humana conti(nua) bolorenta
apegada simplesmente a instintos primitivos
sobreviver
multiplicar..
a fome.. e a mesmice
cérebros que não se aceleram
(embora as novas máquinas sim)
redundância de idéias
sem verdadeiras mudanças
corpos sãos...mentes doentes
quero voltar para o ovo... pra não virar omelete
pra quê?
tantos gênios em tantas épocas diferentes
que i(novaram) dando ar de novo ao velho
e o que se vê a cada nova geração
é que a raça humana conti(nua) bolorenta
apegada simplesmente a instintos primitivos
sobreviver
multiplicar..
a fome.. e a mesmice
cérebros que não se aceleram
(embora as novas máquinas sim)
redundância de idéias
sem verdadeiras mudanças
corpos sãos...mentes doentes
quero voltar para o ovo... pra não virar omelete
VAZIO
PENSO
não sei para quê?
não serei semente
e se o fosse
seríamos um monte de sofredores
quem não pergunta
não se importa
não se importando
não está nem aí
e para que respostas
se a merda será sempre a mesma
independentemente do que a
interrogação responda
continue ovo... mas por favor....
um ovo abortado
nada de dar a luz
não sei para quê?
não serei semente
e se o fosse
seríamos um monte de sofredores
quem não pergunta
não se importa
não se importando
não está nem aí
e para que respostas
se a merda será sempre a mesma
independentemente do que a
interrogação responda
continue ovo... mas por favor....
um ovo abortado
nada de dar a luz
Sem rumo
Existe gente
diferente
não
existe apenas
um bando de fantasmas vagando
buscando tudo menos seus pensamentos
já não tenho dores
tirastes os meus flagelos
não tenho vícios
tenho poucas tentações
sou só mais um fantasma
antes da morte...
morro de tédio...tédio é o meu destino
diferente
não
existe apenas
um bando de fantasmas vagando
buscando tudo menos seus pensamentos
já não tenho dores
tirastes os meus flagelos
não tenho vícios
tenho poucas tentações
sou só mais um fantasma
antes da morte...
morro de tédio...tédio é o meu destino
domingo, 27 de janeiro de 2008
Fui
Quando eu partir
não vou dizer adeus
pois é assim que sou
não haverá lágrima
não haverá pensar um pouco
não haverá olhar para traz
eu já fiz muito
amando
já gastei meu verbo
detesto ser redundante,
ainda que em pensamento
paredes não ouvem
e eu tenho pernas
nervosas
não vou dizer adeus
pois é assim que sou
não haverá lágrima
não haverá pensar um pouco
não haverá olhar para traz
eu já fiz muito
amando
já gastei meu verbo
detesto ser redundante,
ainda que em pensamento
paredes não ouvem
e eu tenho pernas
nervosas
É isso
Amor
é solidão
porque se espera
e quem espera cansa
prefiro ser
alguém que nada espera
prefiro estar sempre seguindo em frente
é solidão
porque se espera
e quem espera cansa
prefiro ser
alguém que nada espera
prefiro estar sempre seguindo em frente
Vest(uário)
Árvores e
(frutos)
têm casca
Animais
têm pelos
penas
escamas
Homens
têm pele
Eu...
não entendo a moda
(frutos)
têm casca
Animais
têm pelos
penas
escamas
Homens
têm pele
Eu...
não entendo a moda
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Int(er)rogação
Entre os sonhos que tive,
nas mil e uma noites,
que já dormi,
o mais belo
foi acordar com respostas
todas as respostas
*.*.*
nas mil e uma noites,
que já dormi,
o mais belo
foi acordar com respostas
todas as respostas
*.*.*
Liberdade de Pensamentos
"O homem zero, é aquele que não foi pensado, pensou-se".
Como fazer para conceber-me sem o conhecimento que recebi, sem a educação que me foi passada, sem a transmissão cultural, e com ela seus vícios. Como zerar o conhecimento e fazer-se ponto de partida, para algo novo, algo não pensado, inédito, mas não avasalador. É difícil ser criador, sem partir de um ponto do conhecimento. Não há conhecimento surgido do nada. Não há início sem reprodução. Não encontro o zero....temos partido do mil, dois mil, três mil. Nós não somos. Estamos, ficamos, repetimos.
*.*.*
Miséria
Pobre homem
Um homem pobre
De terra
De trabalho
De dinheiro
De t(udo)
Passa fome
Ela não passa
Sem teto
Apenas o céu
E um suspiro...
Enquanto a morte não chega
Um homem pobre
De terra
De trabalho
De dinheiro
De t(udo)
Passa fome
Ela não passa
Sem teto
Apenas o céu
E um suspiro...
Enquanto a morte não chega
Cristos Modernos
Caminham nas ruas
Sem eira, nem beira
Passam fome
Mendigam
Estão desempregados
Prostituídos
Maginalizados
Ladrões
Aberações
É a história da evolução do homem
Mudam as culturas
Os tempos
Evolui a ciência
A história passa,
Muda de página
Eles não passam
Todo tempo tem seu Cristo
e todos ao final
serão crucificados
*.*.*
Sem eira, nem beira
Passam fome
Mendigam
Estão desempregados
Prostituídos
Maginalizados
Ladrões
Aberações
É a história da evolução do homem
Mudam as culturas
Os tempos
Evolui a ciência
A história passa,
Muda de página
Eles não passam
Todo tempo tem seu Cristo
e todos ao final
serão crucificados
*.*.*
Sobre homens, lobos e cordeiros
Diariamente nascem muitas crianças
criança recém-nascida é destemida
até que alguém lhe apresente os limites
até que conheça a dor
dor concreta..no corpo
dor abstrata, que dói, mas não se sabe, de onde vem
apenas a lágrima que rola, ácida e corosiva na face
a dor pode ser compreendida, ante vista
e para isso, não necessariamente é preciso sentí-la
basta ser um bom observador
para aprendê-la
e assim, sabendo sua origem, poder evitá-la.
Entre as crianças que nascem muitas são cordeiros e outras tantas são lobos
nasci cordeiro, sorte ou azar
por isso, frágil, dócil, pacífico
observei...observei muito
e tive sorte
sobrevivi aos lobos
Ensinaram-me, no decorrer da infância, senti na adolescência e compreendi com a observação solitária
que lobos são cruéis, mas que também são fortes,
lobo é batalhador
lobo é vencedor
lobos são temidos...e por isso respeitados,
especialmente por cordeiros
ensinaram-me que lobos devoram cordeiros
então tentei manter-me atento
até que um dia aconteceu...
a primeira traição
o primeiro ato desleal
o abandono
a mágoa
a primeira "dor" inesperada
e pela primeira vez, eu ouvi alguém dizer:
"- era um lobo, um lobo em pele de cordeiro".
Tudo pareceu muito confuso
crescemos desconfiados, nós os cordeiros
já não podemos saber que é quem e como nos defender. Pois cordeiros são dóceis
Sei que sou cordeiro...pensei.
mas não sei quem são os lobos
então veio-me a idéia
ser um cordeiro na pele de um lobo...
um disfarce....uma máscara
contei a todos que eu era um lobo
e eles acreditaram
sobrevivi
tenho sobrevivido
não fui devorado, ainda
mas perdi-me no disfarce e sofro
sempre com medo de ser descoberto
...e morto
tive ganhos e perdas
ganhei porque sou respeitado e temido
a maior perda foi a da minha identidade
doce
tranqüiila
lenta
leal
da paz
desaprendi a ser cordeiro
e nunca consegui, verdadeiramente, ser um lobo
sou algo estranho
entre dois mundos..
criança recém-nascida é destemida
até que alguém lhe apresente os limites
até que conheça a dor
dor concreta..no corpo
dor abstrata, que dói, mas não se sabe, de onde vem
apenas a lágrima que rola, ácida e corosiva na face
a dor pode ser compreendida, ante vista
e para isso, não necessariamente é preciso sentí-la
basta ser um bom observador
para aprendê-la
e assim, sabendo sua origem, poder evitá-la.
Entre as crianças que nascem muitas são cordeiros e outras tantas são lobos
nasci cordeiro, sorte ou azar
por isso, frágil, dócil, pacífico
observei...observei muito
e tive sorte
sobrevivi aos lobos
Ensinaram-me, no decorrer da infância, senti na adolescência e compreendi com a observação solitária
que lobos são cruéis, mas que também são fortes,
lobo é batalhador
lobo é vencedor
lobos são temidos...e por isso respeitados,
especialmente por cordeiros
ensinaram-me que lobos devoram cordeiros
então tentei manter-me atento
até que um dia aconteceu...
a primeira traição
o primeiro ato desleal
o abandono
a mágoa
a primeira "dor" inesperada
e pela primeira vez, eu ouvi alguém dizer:
"- era um lobo, um lobo em pele de cordeiro".
Tudo pareceu muito confuso
crescemos desconfiados, nós os cordeiros
já não podemos saber que é quem e como nos defender. Pois cordeiros são dóceis
Sei que sou cordeiro...pensei.
mas não sei quem são os lobos
então veio-me a idéia
ser um cordeiro na pele de um lobo...
um disfarce....uma máscara
contei a todos que eu era um lobo
e eles acreditaram
sobrevivi
tenho sobrevivido
não fui devorado, ainda
mas perdi-me no disfarce e sofro
sempre com medo de ser descoberto
...e morto
tive ganhos e perdas
ganhei porque sou respeitado e temido
a maior perda foi a da minha identidade
doce
tranqüiila
lenta
leal
da paz
desaprendi a ser cordeiro
e nunca consegui, verdadeiramente, ser um lobo
sou algo estranho
entre dois mundos..
Um começo
Na verdade. Acho que escrever é uma arte. Eu não sou art(eir0). Apenas vou dar início a um lançamento de iéias, de forma anônima, para sentir o prazer de escrever, e quem sabe, trocar idéias..sobre as idéias.
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